Cesar Mori Junior Cesar Mori Junior Author
Title: A inaceitável bandono do patrimônio Ferroviário da VFCO... Porque?
Author: Cesar Mori Junior
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ENTIDADE DENUNCIA ABANDONO DE VAGÕES O Movimento Nacional Amigos do trem vai entrar com representação no Ministério Público, denunciando o...

ENTIDADE DENUNCIA ABANDONO DE VAGÕES

O Movimento Nacional Amigos do trem vai entrar com representação no Ministério Público, denunciando o abandono de 70 vagões que pertenciam à Rede Ferroviária Federal, no distrito de Macaia, município de Lavras, Sul do Estado. O presidente da entidade, Paulo Henrique do Nascimento, ao visitar o local, constatou o que considera uma violência contra o patrimônio público brasileiro "Muitos vagões estão até em condições de uso, mas se encontram abandonados, foram saqueados e estão se deteriorando no meio do matagal". Ele afirma que alguns vagões, que têm um preço que varia de R$90mil a R$110mil no mercado internacional estão sendo vendidos por R$600. Paulo disse também que o movimento enviou, na última semana, documentação à Câmara dos Deputados, em nome do presidente Aécio Neves {PSDB), pedindo a abertura de uma Comissão Parlamentar de inquérito (CPI) para investigar fraudes na privatização da Rede Ferroviária Federal. A entidade mantém o sitio http://amigosdotrem.vila.bol.com.brpara receber denúncias de abandono da rede ferroviária.



As sete concessionárias - que pagaram, no total, cerca de R$ 1,5 bilhão para assumir mais de 25 mil quilômetros de dormentes - ganharam o direito de explorar apenas o transporte de carga. Caberia à União manter na linha os vagões de passageiros fora dos centros urbanos. O processo descarrilhou. Os vagões, alguns de sobrenome ilustre como os do Trem de Prata ou do Vera Cruz, apodrecem em antigas garagens, matagais e estações em ruínas espalhadas por todo o país. Cemitérios de trens são a última parada de um longo caminho de descaso e desperdício. Em 1958, o Brasil possuía 37 mil quilômetros de ferrovias e 70 milhões de habitantes. Hoje, não chegam a 30 mil quilômetros - a população mais do que dobrou. Entram nessa conta os trens urbanos, que respondem por menos de 20% da malha brasileira. De longa distância, sobraram apenas duas linhas, ambas operadas pela Companhia Vale do Rio Doce. Uma liga Vitória (ES) a Belo Horizonte (MG). A outra vai de São Luís do Maranhão a Carajás (PA). "A União não tem condições de manter o transporte de passageiros", afirma o presidente da Comissão Federal de Transportes Ferroviários, Luís Henrique Teixeira Baldez. "Se a iniciativa privada não assumir a tarefa, eles dificilmente voltarão a circular". A venda da malha ferroviária foi o ponto de partida para a liquidação da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA). Ela será substituída pela Agência Nacional de Transportes Terrestres. O projeto de lei que cria a agência reguladora já foi aprovado e só depende da sanção do presidente Fernando Henrique Cardoso. Poderia até ser uma luz no fim do túnel, não fosse a corrida contra o relógio: afundada em dívidas, a Rede não tem infraestrutura suficiente para cuidar do patrimônio. "É triste ver o dinheiro da gente apodrecendo aí, né?" indaga, sem disfarçar a tristeza, o agricultor João Marcelino, de 59 anos. Diariamente, ele caminha por entre os mais de 80 vagões abandonados ao ar livre a cerca de 100 metros da estação de Chapéu dUvas, um distrito de Juiz de Fora de menos de mil habitantes. A estação é um exemplo do descaso com que o patrimônio ferroviário é tratado. Construída no final do século passado, foi reformada no início dos anos 90 e abandonada sete anos depois. Virou depósito de lixo. No mercado ferroviário, cada vagão vale, de acordo com seu estado de conservação, entre R$ 80 mil e R$ 100 mil. Só em Minas Gerais, cemitérios de trens guardam mais de 300 vagões, segundo levantamento feito pelo Movimento Nacional Amigos do Trem, uma das entidades que se dedica à preservação das ferrovias nacionais. "São R$ 24 milhões jogados no lixo. Cada vagão desses será agora vendido como sucata por, no máximo, R$ 3 mil", critica o presidente do movimento, Paulo Henrique do Nascimento. Sucata que, se funcionasse a contento, resolveria os problemas do lavrador José Maria Borges, de 46 anos. Ele mora em Macaia, distrito de Lavras, no sul de Minas, e, para sair de casa, só conta com dois horários de ônibus. "A passagem do ônibus é o dobro do preço do bilhete do trem. Não é certo ver esse monte de trens virar lixo e a gente ficar sem condução", lamenta. Em Macaia, apodrecem num matagal cerca de 20 vagões de passageiros e mais de 50 de carga. O Green Train, construído para passeios por ocasião da Conferência Mundial do Meio Ambiente (Rio 92), só é reconhecível pela pintura verde. Do interior, nada sobrou. Estão lá também restos do Expresso Mantiqueira e do Trem de Prata. Depenados. Sumiram os bancos de couro, as mesas de madeira de lei, os lustres de cristal. Parte do Trem de Prata, que parou de circular em novembro de 1998, também está largada num galpão da Rede em Santos Dumont, no Sul de Minas. Na terra natal do Pai da Aviação, já funcionou uma das maiores oficinas ferroviárias do país, com 800 empregados. Hoje, apenas quatro vigias se revezam para tomar conta dos mais de 100 vagões parados. Desses, menos de 30 ficam na parte coberta, protegidos do tempo. Do lado de fora, sumiram até pedaços dos tetos de alumínio. "A falta de investimentos fez com que as ferrovias perdessem à disputa para as rodovias. O transporte de passageiros ficou caro e ineficaz", explica o consultor Renê Schopta, da Câmara Brasileira de Transportes Ferroviários. "Mas nada justifica o abandono. Até porque, vagões e estações poderiam servir a um projeto de trem

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João Custodio Santos disse... 21 de fevereiro de 2010 07:45

Meus amigos, tenho 65 anos de idade, e parte da minha infancia e juventude no RGS, foi viajando nas velhas maria fumaças, algumas vezes indo a São Paulo; no trem Minuano e no Hungaro, até o transporte ferroviario ser praticamente extirpado do paíz. Assim, como testemunho vivo desta epoca, saudosa, romantica, que tanto colaborou no desenvolvimento do paíz, lastimo o abandono a que foi relegado a malha ferroviaria no Brasil.

CFVV disse... 21 de fevereiro de 2010 10:16

O CFVV, está apenas iniciando seus curso para mudar os rumos do descaso visto em todo o Brasil para com o patrimônio ferroviário. Só podemos elogiar a atitude do Movimento Nacional Amigos Do Trem, na iniciativa do meu amigo Paulo Henrique. Espero que isto demonstre claramente que as organizações que lutam em defesa da ferrovia estão cada vez mais falando a mesma língua. Isto só nos tornará mais fortes!
Nós do CFVV porém, diferente do MNAT, somos um movimento Regional, que tratará somente dos assuntos ligados a nossa região. Agradecemos o trabalho dos Amigos do Trem em defesa dos interesses que são de todos nós.

 
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