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Title: Confusão entre preservação ferroviária e turicismo oportunista
Author: CFVV
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Em 1977, coincidentemente o ano em que nasci, foi fundada a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária ( ABPF ). À frente da ABPF esta...
Em 1977, coincidentemente o ano em que nasci, foi fundada a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF). À frente da ABPF estava o francês Patrick Dollinger, que tentava criar no Brasil uma associação baseada no modelo europeu de proteção e preservação de máquinas de valor histórico.
A ação da ABPF foi, inicialmente, conseguir junto ás ferrovias públicas, principalmente RFFSA e FEPASA, material abandonado para restaurar, tirar da situação de sucata, além de insistir para a preservação de trechos interessantes.
Ainda nos anos 70, algumas estradas de ferro no Brasil utilizavam a "arcaica" tecnologia a vapor, uma delas era a Viação Férrea Centro Oeste (formada pela união das Rede Mineira de Viação, Estrada de Ferro Goiás e Estrada de Ferro Bahia a Minas). Devido à prioridade da dieselização em linhas tronco de maior tráfego, muitas locomotivas a vapor provenientes da antiga RMV (formada pelas Estrada de Ferro Oeste de Minas [incluindo E. F. Paracatu] e Rede Sul Mineira) mantiveram-se em ação em ramais de menor expressão e em pátios de manobra.
Por insistência da ABPF, entre outros, quando da desativação e consequente intenção de erradicação total da antiga linha em bitola de 0,76cm, que ainda ligava Antônio Carlos - São João del-Rei - Bom Sucesso (PBA), e que nos anos 70 transportava principalmente calcário e cimento, a RFFSA acabou por manter pelo menos 12km dessa linha, entre São João del-Rei e Tiradentes (a antiga São José del-Rei). A conservação desse pequeno trecho em caráter turístico desde 1984, mantido pela própria "Rede", tornou-se, ironicamente, um grande símbolo da preservação ferroviária no Brasil. De símbolo do atraso técnico e da falta de investimentos no setor ferroviário a grande manifestação do espírito preservacionista do patrimônio histórico nacional, culminado com o tombamento pelo IPHAN entre 1987 e 1989.
Muito bem funcionam os trens de passeio em várias localidades, principalmente os mais antigos. Outros, têm bastante dificuldade e dependem da boa vontade e "amor à camisa" de quem os torna realidade. Alguns certamente funcionam amargando gastos maiores que a renda.
O tempo passou, entramos no século XXI, e o trem de passeio virou moda. Alguns embalistas e oportunistas entraram em ação, sejam políticos (politiqueiros), ou sujeitos de índole duvidosa, para implantar trenzinhos de passeio com "maria-fumaça" em tudo que é canto desse país. Sem muita noção da realidade, alguns prefeitos desavisados acabam caindo na lábia de sujeitos que só querem se aproveitar do erário público, prometendo implantar trens turísticos em locais de contingente turístico duvidoso. Alguns até tornam-se realidade, mas por pouco tempo, como foi fácil constatar numa viagem que fiz com amigos na semana passada, onde pudemos ver uma locomotiva abandonada junto com alguns carros numa estação do sul de Minas. Pelo que me informei, tal locomotiva foi cedida em condições perfeitas de funcionamento aos representantes de Pouso Alegre, e hoje se perde encostada sem que possa ser devolvida à instituição que a restaurou e gentilmente a cedeu.
 
Locomotiva nº 205 (RMV-Oeste 100, RMV 205, VFCO 205) abandonada e vandalizada em Pouso Alegre-MG. Foto de Jonas Augusto de Carvalho.
Trecho abandonado em Pouso Alegre, depois de ter funcionado um trenzinho "maria-fumaça" em curto período de tempo e amargado o fracasso. Se não estivesse lá, acharia que é trecho da E. F. Madeira-Mamoré. Foto de Jonas Augusto de Carvalho.
Também, algumas personagens envolvidas em delitos contra o patrimônio público anos atrás, hoje se esforçam numa empreitada de estabelecer mais um trem turístico oportunista numa região de Minas Gerais, com a intenção de ocupar uma linha em uso por concessionária de transporte de cargas. Para tanto, dão até um nome pomposo ao esquema, para atrair recursos de prefeituras da região.

Instalar esses trenzinhos parece nem ser tão difícil. Para o início das atividades, muitos prefeitos e legisladores acabam embarcando na viagem maluca, como foi o caso de Pouso Alegre, que obteve a máquina mas nada fez com ela até o momento!
Tirado do Blog : trilhosdooeste

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Cesar Mori Junior disse... 16 de outubro de 2011 23:55

Esta postagem foi para mostrar que existem forças contrárias de pessoas que nao fazem nada para preservar o patrimônio, mas tem uma boca enorme para criticar.

Rodrigo Flores disse... 17 de outubro de 2011 00:55

Qual é o nome da cidade de Minas? aqui em Ribeirão Preto fala - se tanto no trem turístico e nada! No ano passado até falaram em restaurar á locomotiva que fica em frente do pronto socorro e até agora nada! e o museu ferroviário? nada... Perto da Estação do Barracão, sabe o que estão fazendo? aterrando á linha!! sem mais Rodrigo.

Rodrigo Flores disse... 17 de outubro de 2011 09:28

Então aqui em Ribeirão Preto está cheio! alias publique o meu comentário!!

BCS disse... 17 de outubro de 2011 09:53

Criticas são o mais comum. Você pode fazer o melhor trabalho do mundo, mas se esquecer de um prego da ferrovia favorita de alguém, vai vir pedrada.

Infelizmente, como o post deixou bem claro preservação custa caro e não é possível abraçar o mundo e salvar tudo, mas existem pessoas que não entendem isso e acham que instituições como a ABPF estão sendo negligentes em não salvar muita coisa que ainda existe, mas muitas vezes vontade é o que não falta, o que faltam são recursos e pessoas para ajudar.

Anderson Nascimento disse... 17 de outubro de 2011 19:24

Caros amigos, quem critica esse movimento em favor da história e honra de todos aqueles que amam nosso país só o faz por dois motivos: incapacidade ou inveja. Já citei, por algumas vezes, que um trem turístico ou de passageiros (trem regional) só fracassa, como disse o cidadão acima, se quem o coordena tiver interesse no fracasso ou for incompetente!
Mas uma coisa podemos afirmar, se estão falando contra é porque o projeto está sendo bem elaborado e tem gente com medo de projetos maiores seguirem os mesmo caminho.

 
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