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Title: O PATRIMÔNIO DESCARRILOU... LOCOMOTIVA E VAGÃO ABANDONADOS, APODRECEM EM FRENTE FCA E INVENTARIANÇA DA RFFSA!
Author: CFVV
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Patrimônio histórico de ferrovia em Minas está abandonado Locomotiva e vagão que tiveram papel histórico no início do século 20 estão apodr...

Patrimônio histórico de ferrovia em Minas está abandonado
Locomotiva e vagão que tiveram papel histórico no início do século 20 estão apodrecendo, enquanto Iphan e a extinta Rede não se entendem sobre a responsabilidade pela conservação

Por Valquiria Lopes -

Publicação: 04/08/2011 Jornal O Estado de Minas


Unidade que transportava autoridades para as vistorias na linha ferroviária está caindo aos pedaços, com perda da cobertura e da estrutura interna


A máxima consagrada de que mineiro não perde trem anda caindo por terra. Pior: Minas corre o risco de ver destroçados dois de seus bens históricos ferroviários que tiveram papel de destaque no início do século 20. Ambos estão castigados pela ação do tempo em Belo Horizonte e desprotegidos diante da falta de entendimento entre a antiga estatal do setor e o órgão que deveria zelar pela história do patrimônio federal. Em 2012, eles completam 100 anos. O vagão de madeira ainda guarda marcas de luxo dos tempos em que transportava autoridades em vistorias de trechos da linha férrea. Está se despedaçando. E a locomotiva a vapor n. 20, que transportou passageiros de Norte a Sul do Estado, tornou-se alvo da ação de vândalos e teve sua pintura pichada.

Há cerca de 25 anos, ambos marcam a entrada dos visitantes no edifício na Rua Sapucaí, no Bairro Floresta, na Região Leste da capital, que abrigava a sede da extinta Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA). Lá está instalada a Inventariança RFFSA, que atribui ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a responsabilidade pela preservação, enquanto o Iphan alega que os inventariantes são os detentores desses bens.

Diante do impasse sobre quem deveria cuidar do problema, sai derrotada a memória nacional. Conforme a antiga estatal, todos os bens móveis e imóveis foram doados durante seu processo de liquidação que resultou na concessão do direito de uso da linha férrea a empresas privadas. De acordo com a chefe da unidade regional Belo Horizonte da inventariança da extinta RFFSA, a advogada Vânia Silveira de Pádua Cardoso, o patrimônio histórico ficou sob a guarda do Iphan. “Estamos progressivamente inventariando e repassando os bens ao órgão, mas a doação já foi prevista com a sanção da Lei 11.483 de 2007”, afirma.

A afirmativa de Vânia está confirmada no artigo 9º da lei que diz: “Caberá ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) receber e administrar os bens móveis e imóveis de valor artístico, histórico e cultural, oriundos da extinta RFFSA, bem como zelar pela sua guarda e manutenção”. Portanto, conforme a advogada, a revitalização do vagão e da locomotiva deve ser feita pelo órgão de patrimônio. “Os bens já são do Iphan, mas o instituto precisa reconhecer o valor histórico deles. Então, fazemos os levantamentos das peças e enviamos ao órgão a certificação desse valor, mas isso não inviabiliza a restauração.”

Documento

O pedido de manifestação de valor histórico do vagão e da locomotiva constam em um documento com 430 bens enviado ao Iphan em 28 de julho, segundo a advogada. O Estado de Minas teve acesso à documentação. Vânia argumenta ainda que a inventariança optou por priorizar as peças de cidades do interior que poderiam ser extraviadas e deixou as de Belo Horizonte para um segundo momento, já que estão sob a mesma vigilância direcionada ao prédio. “Aqui elas correm menos risco de desaparecer do que uma peça em outro município”, alega.

A chefe da regional BH diz que na época em que a locomotiva e o vagão foram pichados, há cerca de três meses, o Iphan foi alertado sobre o dano. “Fui pessoalmente fazer o comunicado e fui informada de que já havia um projeto de repasse de locomotivas e vagões a prefeituras, por meio de convênios, e que as peças aqui do prédio entrariam no pacote”. Segundo ela, apesar da vigilância permanente na edificação onde ficava a sede, não é possível ter controle sobre a ação de vândalos.

Mas mesmo ciente da legislação que trata da doação dos bens, o Iphan afirma, por meio de sua assessoria de imprensa, que a posse da locomotiva e do carro de passageiros ainda não foi repassada oficialmente. E de acordo com o superintendente do Instituto em Minas, Leonardo Barreto, a prioridade dentro das ações de restauro é a revitalização do prédio da extinta Rede, na Rua Sapucaí. “O projeto de restauro do imóvel está pronto e aguardamos apenas o recebimento de recursos do Patrimônio Ferroviário para darmos início às obras e transformá-lo em Centro da Memória Ferroviária de Minas Gerais. Os reparos começarão pelo telhado e serão feitos andar por andar”, afirma Barreto.

Prejuízos

Mas a dificuldade em resolver o imbróglio só piora o estado de conservação dos bens. De acordo com o diretor adjunto administrativo do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Belo Horizonte (MG/RJ/SP/GO/DF), o ex-ferroviário Fernando Feijó, é lamentável ver duas das unidades que reacendem a memória do transporte ferroviário em Minas em total abandono. “Esse era um vagão de luxo, com bancos de couro e varanda. Era usado só para levar diretores e autoridades que faziam inspeção da via e tinha capacidade para apenas oito pessoas. É triste que esteja nesse estado”, lamenta.

Sobre a locomotiva, que ainda funciona, Feijó faz um alerta: “Ela poderia estar sendo usada em algum trecho que tem potencial turístico, mas está aqui parada. Antes, era até ligada, mas hoje, nem isso mais ocorre”. Apesar de o Ministério Público Federal ter procedimentos investigatórios em andamento sobre bens móveis do prédio da Rua Sapucaí, não há nada específico para a locomotiva e o vagão de passageiros.

Enquanto isso... Papéis são recuperados

O Iphan deu início à recuperação de milhares de documentos do acervo da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), que foi liquidada em 1996 e extinta em 2007. Os papéis com a memória da empresa estavam em salas do prédio da Rua Sapucaí, na Região Leste da capital mineira. Entre o material já pesquisado há raridades, como a Collecção das Leis, com o primeiro dos mais de 60 volumes datado de 1867, plantas de estações de trens, desenhos de vagões, relatórios técnicos, notas fiscais, fotografias e até os estudos de criação da logomarca estatal. De acordo com o Superintendente do Iphan em Minas, Leonardo Barreto, o trabalho deve ser concluído em até três anos.

Memória / De BH para o Sul e Norte

Fabricada em 1912, a Locomotiva nº 20 operou no transporte de passageiros no trecho entre Belo Horizonte e Lavras, no Sul de Minas, e também fez a conexão ferroviária entre a capital mineira e Montes Claros, no Norte do estado. Datado da mesma época, o carro de passageiros da administração da extinta Rede Ferroviária Federal, vagão luxuoso para a época e rico em detalhes, foi usado por autoridades e diretores da antiga empresa estatal para inspeção de trechos da ferrovia Oeste Minas, entre São João del-Rei e Tiradentes, no Campo das Vertentes. Há aproximadamente 25 anos eles estão estacionados no pátio de entrada do edifício da inventariança da extinta Rede, na Rua Sapucaí, no Bairro Floresta, Região Leste de Belo Horizonte. Ambos têm bitola 0,76 (largura determinada pela distância entre dois trilhos da linha férrea) e são peças raras do patrimônio ferroviário do país.


 O PATRIMÔNIO SE ACABOU.. O IPHAN NAO OLHOU.... O DNIT NÃO CUIDOU... A INVENTARIANÇA CONCORDOU E A FCA ESTA... ADOROU!

ISTO É A VERGONHA NACIONAL! 
O CÚMULO DO DESCASO E A GRANDE FARRA COM O DINHEIRO PÚBLICO. 
TUDO COM A APROVAÇÃO DA POPULAÇÃO, DOPADA PELA MISÉRIA E PELA IGNORÂNCIA... EU NÃO MAIS JOGAREI PALAVRAS AO VENTO, TOMAREI ATITUDES DE COMBATENTE CONTRA ESTE ABUSO E SERÁ IMEDIATAMENTE!

Estive lá hoje pela tarde e constatei esta vergonha, mas a FCA lacrou as portas de acesso, impedindo que se possa entrar no pátio onde estão a locomotiva e o vagão. Seria tão mais fácil preserva-los, mas isto jamais farão! A não ser que tomemos uma atitude mais drástica com relação aos crimes cometidos contra o patrimônio. Alguém tem que puni-los pelos crimes, se os órgãos reguladores não o fazem então é chegada a hora de mostrar que o povo dos trilhos pode ser convincente.
Vou incomodar e não ligo a minima para que pensam ou deixam de pensar!

Basta de brincar com as palavras...
Cesar Mori Júnior
Presidente do CFVV Sul de Minas

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Anônimo disse... 5 de agosto de 2011 00:12

Eu frequento esse lugar todos os sabados e tirei um monte de fotos desse abuso. No dia que via a locomotiva e o carro pichado fiz questão de fotografalos e postar no Orkut e no Facebook. Esse carro é de 1907 e fez 100 anos em 2007. Em 2007 eu fotografei esse carro por fora e por dentro. Eu acho muito triste ver um belo carro sendo desmanchado e ninguem toma atitude. Meus colegas também ficam gemendo,tem um que até chora ao ver o estado do carro. No dia que o vidro da locomotiva quebrou eu fotografei ele quebrado e tirei satisfação com o povo da FCA."Foi uma sombrinha que atingiu a janela da maquina" Disse o porteiro da FCA. Tenho varias fotos desse descaso.

CFVV disse... 5 de agosto de 2011 11:07

Amigo nos envie todo o material que tiver sobre o assunto para que possamos fazer uma nova matéria sobre o assunto com mais detalhes...
cfvv.suldeminas@gmail.com

thiago2009r disse... 5 de agosto de 2011 12:06

Peço licença para corrigir um tópico,essa locomotiva nunca operou em Montes Claros e Belo Horizonte,ambos faziam parte da EFOM que ligava a cidade de Antônio Carlos a Barra do Paraopeba,passando por São João del-Rei,Lavras,Divinópolis,etc...
Eu até conheço alguns maquinistas que chegaram a trabalhar com ela no trecho.
Tanto a locomotiva quanto o carro da administração sá foram parar em BH porque ali era a sede da RFFSA.
Na verdade não sei onde esse patrimônio estaria correndo mais risco,se em BH ou São João del-Rei pois aqui o patrimônio também está muito descuidado.Isso é a cara desse Brasil mesmo.Lamentável.

CFVV disse... 5 de agosto de 2011 13:24

Caro Thiago este mês tenho agendado na Assembleia Legislativa do estado uma audiência publica sobre a ferrovia mineira, nossos trens e nosso patrimônio... Estou redigindo um documento que deverá ser chancelado por todos os presentes nesta audiência. Mas seria interessante que vocês ai em São João incluíssem neste doc todas as duas demandas. Aguardo contato!

thiago2009r disse... 5 de agosto de 2011 14:59

Caro amigo,não sei como poderei algo para ajudar pois infelizmente não tenho muito material (documentos técnicos)sobre a EFOM,apenas possuo um grande acervo de fotografias antigas,alguns vídeos e uma maquete que estou fazendo da bitolinha,ou seja,sou um simples apaixonado pela Ferrovia Oeste de Minas,mas conheço uma pessoa que poderá fazer muita coisa pois além de entender muito sobre ferrovias,possui também um vasto acervo de documentos,o blog dele é http://trilhosdooeste.blogspot.com/.Mas qualquer coisa que eu puder fazer me diga,pois quero ajudar também.Ah meu blog é http://efom-maria-fumaca.blogspot.com/ .
Abraço!

CFVV disse... 5 de agosto de 2011 15:12

passe o meu contato cfvv.suldeminas@gmail.com e vamos em frente.
abração e obrigado pela colaboração.
Lembrando a todos os demais que espalhem a noticia que teremos uma audiência pública sobre a ferrovia mineira...É hora de começarmos a incomodar de verdade. Podem trazer faixas e cartazes com as reclamações sem insultos claro, mas com toda nossa demanda... devera ser entre dias 23 e 29 deste mês ainda não definido. Serpa postado aqui o dia e hora exatos para que possa contar com a presença de todos vocês!

CFVV disse... 5 de agosto de 2011 15:12

passe o meu contato cfvv.suldeminas@gmail.com e vamos em frente.
abração e obrigado pela colaboração.
Lembrando a todos os demais que espalhem a noticia que teremos uma audiência pública sobre a ferrovia mineira...É hora de começarmos a incomodar de verdade. Podem trazer faixas e cartazes com as reclamações sem insultos claro, mas com toda nossa demanda... devera ser entre dias 23 e 29 deste mês ainda não definido. Serpa postado aqui o dia e hora exatos para que possa contar com a presença de todos vocês!

Welber disse... 9 de agosto de 2011 15:30

Creio que o destino futuro, espero que não remoto, seja São João del-Rei. Antes disto, é necessário que haja a licitação e a saída da concessionária daquele complexo. É público e notório que a responsabilidade por um bem cultural, que é o estatuto daquele patrimônio, seja entregue a entidade específica e preparada para zelar em todos os níveis de museologia, arqueologia, restauro, enfim da preservação mais adequada desse legado.

João Batista disse... 24 de agosto de 2011 14:00

Oi Cesar, Recentemente parei num ponto de ônibus bem em frente ao local onde está localizado este vagão e pude realmente ver o lamentável estado de conservação em que ele se encontra. Este é apenas mais um dos exemplos de descaso para com o patrimônio ferroviário de nosso estado. Vamos reunir forças para mudar este quadro o quanto antes.
Conte com meu apoio para o que precisar

João Batista Filho
Belo Horizonte

Rick Muldoon disse... 1 de outubro de 2011 23:24

Pois é, o descaso que o brasileiro tem com sua própria história impressiona os mais cultos! Estive nesse lugar há alguns anos e o vagão A-1 já se encontrava muito maltratado. Eu sou de São João del-Rei, e ouvi falar que querem trazer essas relíquias para o complexo ferroviário daqui, onde recentemente houve discussão de projetos para preservação e recuperação de patrimônio fixo e rodante. Contudo, a FCA parece estar interessada na mesma ideia que a mercenária RFFSA teve em 1984, de erradicar ferrovias "antiquadas" e "pouco econômicas", para poder permitir que uma riqueza de valor histórico como essa se perca nas páginas do tempo.conta com a gente pro que precisar

 
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