
Segundo as investigações da PF, há fortes indícios de que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, montou um poderoso esquema de repasse de dinheiro a políticos.
Para o deputado Duarte Nogueira (SP), as recentes descobertas só fortalecem a necessidade de instalação da CPI. “É preciso passar a Petrobras a limpo, devolvê-la aos brasileiros e quebrar esse aparelhamento que a suga, a endivida e a leva para as páginas policiais”, afirmou. “É toda uma intricada rede de favores políticos para petistas ou aliados deles a custo do interesse nacional”, completou.
Milhões para o PP – Entre as agendas e planilhas apreendidas na casa e no escritório de Paulo Roberto, foi encontrada a descrição de supostos pagamentos ao Partido Progressista (PP), que somam R$ 28,5 milhões – montante que teria vindo de empresas fornecedoras da Petrobras, onde Paulo Roberto trabalhou de 2003 a 2012, com apoio do PP, PMDB e PT.
Do valor encaminhado para o partido, R$ 7,5 milhões teriam sido destinados ao diretório nacional. De acordo com o entendimento da PF, houve também repasse de dinheiro para os deputados Nelson Meurer (PP-PR) e João Pizzolati (PP-SC).
Na ponta do lápis – A PF encontrou também entre os documentos apreendidos uma lista de empresas fornecedoras da estatal. Estão entre elas a Mendes Júnior, Toyo Setal, Engevix e UTC/Constran.
Nos papéis são citados os nomes dos executivos de cada uma delas e o “status” da negociação, com as anotações “já teve conversas com candidato”, “está disposto a colaborar” ou “já vem ajudando”.
Segundo levantamento da “Folha de S.Paulo” veiculado na edição desta segunda-feira (14), os partidos da base aliada de Dilma Rousseff receberam, pelo menos, R$ 35,3 milhões em doações na campanha eleitoral de 2010 das empresas citadas nessa lista de Paulo Roberto.
Para o deputado Ruy Carneiro (PB), trata-se de mais uma evidência do aparelhamento da estatal, que se desvaloriza no mercado e corre o risco de perder completamente a credibilidade diante dos investidores. “Existem fatos graves de corrupção e prejuízo à empresa. Temos que passar essa história a limpo, punir quem deve ser punido e fazer as correções”, disse.
Depois do feriado
O Supremo Tribunal Federal (STF) deve se manifestar na próxima semana sobre os dois mandados de segurança que tratam da CPI da Petrobras. Isso porque chegou somente nesta segunda-feira (14) o pedido da ministra Rosa Weber ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de mais informações sobre os mandados. Renan terá 48 horas para prestar os esclarecimentos, contadas a partir do primeiro dia útil após a comunicação oficial do STF ao Senado. Logo, o prazo começa a valer nesta terça-feira (15).
O primeiro mandado, de iniciativa dos senadores do PSDB e da oposição, contesta decisão da Mesa do Senado de unir diversas suspeitas de irregularidades em uma única CPI. O mandado de segurança da senadora Ana Rita (PT-ES) questiona a CPI da oposição com o argumento de que os temas relacionados à Petrobras seriam desconexos entre si. O Supremo deve definir o que se entende por “fato determinado”, requisito para a criação de CPIs.
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